segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Entre o Desconhecido e a Curiosidade

                                                         Dr. J.R. de Almeida

[https://x.com/dralmeidajr][instagram.com/profalmeidajr/][ https://orcid.org/0000-0001-5993-0665][https://www.researchgate.net/profile/Josimar_Almeida/stats][https://uerj.academia.edu/ALMEIDA][https://scholar.google.com.br/citations?user=vZiq3MAAAAJ&hl=pt-BR&user=_vZiq3MAAAAJ]

                                                                                  Editora Priscila Gomes





Existe conhecimento esperando para ser descoberto no fundo dos oceanos, no genoma de uma formiga, nas profundezas da floresta, nos microrganismos que ainda não conseguimos identificar e nos complexos ciclos do carbono que a ciência continua tentando compreender e modelar com cada vez mais precisão.

E talvez seja justamente diante desse desconhecido que o ateísmo faça mais sentido para mim.

Quando encontro algo que ainda não compreendo, prefiro dizer:

“Não sei ainda. Vamos investigar.”

Essa frase, para mim, não representa ignorância como ponto final. Representa curiosidade como ponto de partida.

O “não sei ainda” mantém a porta aberta.

Ele permite formular hipóteses, procurar evidências, fazer perguntas, testar possibilidades e, principalmente, mudar de ideia quando os fatos apontarem para outro caminho.

Já o “já sei” pode encerrar a conversa antes mesmo que ela comece.

Quando uma pergunta difícil recebe imediatamente uma resposta definitiva, desaparece parte do incentivo para continuar procurando. O mistério deixa de ser uma pergunta e passa a ser considerado resolvido.

Eu prefiro o mistério em aberto.

Prefiro uma pergunta sem resposta a uma resposta sem evidência.

Prefiro admitir uma lacuna no conhecimento a preenchê-la apenas porque o vazio incomoda.

E isso não significa acreditar que a ciência já tenha todas as respostas. É justamente o contrário.

A ciência ainda não sabe muitas coisas.

E é fascinante que não saiba.

Porque cada “não sabemos” representa uma fronteira. Um lugar onde a curiosidade pode avançar.

Talvez existam espécies que ainda não foram catalogadas. Talvez existam mecanismos biológicos que ainda não compreendemos. Talvez os oceanos escondam processos que mudarão aquilo que hoje se sabe sobre os ecossistemas. Talvez novas descobertas sobre genética, clima, evolução ou funcionamento do cérebro obriguem a humanidade a rever conceitos que atualmente parecem bem estabelecidos.

E tudo bem.

Conhecimento não precisa ser uma coleção de certezas eternas.

Ele também pode ser uma história de perguntas cada vez melhores.

Tenho certeza de que ainda teremos muitas certezas no futuro.

Algumas das coisas que hoje parecem hipóteses provavelmente serão confirmadas. Outras serão corrigidas. Algumas serão abandonadas. E novas perguntas surgirão justamente a partir dessas respostas.

É assim que o conhecimento avança.

Por isso, quando digo “não sei”, não estou desistindo de encontrar uma resposta.

Estou dizendo:

“Ainda não sei. Mas quero descobrir.”



E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de permanecer intelectualmente vivo.

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