Tamanho das reservas naturais influencia diretamente a proteção da biodiversidade, alertam especialistas
Dr. J.R. de Almeida
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Editora Priscila M. S.
A criação de áreas protegidas é uma das principais estratégias para conservar a biodiversidade, mas pesquisadores destacam que o tamanho e o planejamento dessas reservas exercem um papel decisivo na eficácia da proteção das espécies. Estudos em ecologia da conservação indicam que, desde o momento em que uma reserva é delimitada, uma série de efeitos ecológicos passa a ocorrer ao longo do tempo.
Logo na fase inicial, a própria decisão de separar uma área para preservação pode resultar na exclusão imediata de parte das espécies que originalmente habitavam a região como um todo. Isso acontece porque a área protegida representa apenas uma fração do ecossistema original, deixando de fora ambientes, recursos e condições necessárias para a sobrevivência de determinados organismos.
Esse fenômeno é explicado pela chamada relação espécie-área, um dos princípios mais conhecidos da ecologia. De acordo com esse modelo, quanto menor a área disponível, menor tende a ser o número de espécies que ela consegue sustentar. Estimativas científicas indicam que a redução da área pode levar a perdas significativas: para cada diminuição de 10% no território protegido, até cerca de 30% da fauna regional pode deixar de ser representada. Esse impacto inicial é conhecido como efeito de amostragem, pois a reserva passa a conter apenas uma “amostra” da biodiversidade original.
Diante desse desafio, especialistas apontam que a criação de um conjunto de reservas menores, distribuídas de forma estratégica na paisagem, pode ajudar a reduzir esse efeito. Quando bem planejadas, essas áreas podem abranger diferentes tipos de habitat e aumentar a representação de espécies que não estariam presentes em uma única área contínua.
No entanto, os pesquisadores alertam que essa solução não elimina todos os riscos. Reservas menores tendem a ser mais vulneráveis ao isolamento, à pressão externa e à perda gradual de espécies ao longo do tempo. Por isso, além da representatividade inicial, o planejamento de áreas protegidas deve considerar fatores como conectividade entre fragmentos, tamanho mínimo viável e a manutenção de processos ecológicos essenciais.
A análise desses efeitos reforça a importância de políticas de conservação baseadas em critérios científicos e planejamento de longo prazo. Mais do que delimitar territórios, a eficácia das reservas depende de estratégias integradas que garantam a permanência das espécies e a funcionalidade dos ecossistemas.
Em um cenário de crescente transformação das paisagens naturais, especialistas defendem que o desenho das áreas protegidas precisa equilibrar quantidade, qualidade e conectividade — elementos fundamentais para assegurar que a conservação vá além da proteção no papel e se traduza em resultados concretos para a biodiversidade.

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